Apesar de não ser raro ver ciclistas ocasionais no ferry-boat, às 08:30 não é tão frequente pelo que calculei que fossem alguns companheiros para a actividade.
Rapidamente reconheci a careca luzidia do Jaime e as outras figuras só podiam ser a Felicidade que me tinha dito no dia anterior que também iria de bike até à Comporta e o Mira de quem o Jaime já me tinha falado.
A viagem entre Setúbal e Tróia é fantástica e a vista sobre a Serra da Arrábida traz consigo a recordação de outras actividades e, simultaneamente, sempre apontando para a serra, crescem os sonhos de fazer mais isto e aquilo.
Dizem que os portugueses têm o hábito de, durante as refeições, estar a falar de comida. Se assim é, posso dizer que esse hábito transmite-se para outros apartados da vida e neste caso para as actividades, porque sistematicamente acontece que estamos em actividade e já começamos a fazer planos para o que faremos proximamente e partilham-se sorrisos colectivos.
Já em Tróia, enquanto vai a Felicidade queixando-se por antecipação para não irmos muito rápido, preocupo-me em me despachar a tirar a bicicleta do carro que a Sara levará até ao Museu do Arroz. Afinal de contas, mesmo com previsão de bom tempo durante o dia, às 09:00 ainda está fresquinho e a “manguinha curta” vai fazendo estragos.
Ao ver o pessoal um bocado agasalhado vacilei perante a minha ideia de ir de “manguinha curta”. Mas decidi-me por ficar como estava e deixar os abrigos em casa, a pedalada iria tratar do frio.
A estrada de Tróia até à Comporta faz-se muito bem de bicicleta porque é acessível a qualquer pessoa que tenha o mínimo de desenvoltura física. Só há um problema: as razias que os carros nos fazem, mas quanto a isso não há
solução porque há condutores que insistem em serem classificadas de bestas.
Somos os primeiros a chegar ao Museu do Arroz … e ainda bem … que mesmo no Ponto de Encontro, a corrente da minha bicicleta aproveitou para se partir … felizmente foi ali.

Rapidamente transformamos as escadas do Museu do Arroz na melhor oficina de bicicletas de Comporta e arredores e, tipicamente à portuguesa, um trabalha e
um monte deles à volta dão palpites.
Para ajudar à festa, no momento em que a corrente se partiu, saltou uma pequena anilha que separa as “paredes” da corrente e eu não tinha nenhuma dessas anilhas para substituir. Já estava à espera que proximamente a corrente desse o “ar da sua graça” porque já vai estando gasta mas não me lembrei das ditas anilhas.
Consertei a corrente, mas será que ia aguentar até ao final do dia sem a dita anilha? É o que íamos ver.
Estava tão concentrado a consertar a corrente que não me tinha apercebido que a maioria das pessoas já havia chegado e ali tínhamos uma grande concentração de viaturas.
Que panorama interessante, um monte de carros com rodas nos tejadilhos … eheheheh.
O local de partida era ali ao pé e num instante o pessoal estava pronto para começar a andar.
É então que faço a chamada para a actividade e conto pouco menos de 40 bicicletas … que mais tarde venho a verificar que não ficaram todas na “foto de família” porque a “elevadíssima qualidade” da minha
máquina fotográfica conjugada com a minha “elevadíssima” perícia para a fotografia, resultou em ficarem rodas do lado direito e esquerdo das fotos que identificam os faltosos. Não foi fácil convencer o pessoal para pararem para a foto porque já se fazia sentir o nervosismo para a partida, mas lá consegui.
No entanto, como é apanágio nestes momentos, ainda havia que tratar de mais um assunto antes de sairmos … uma maravilhosa e elegantérrima bike decidiu que esse não seria um bom dia para a sua existência e para além de uma câmara de ar que insistia em não se deixar encher, tinha o pedaleiro empenado … tinónim e aparece a brigada Jaime & Companhia que tratam do caso …
Finalmente partimos.
O estradão começa por subir ligeiramente, dou umas pedaladas para me adiantar e olho para o grupo que é fantástico … dá imensa alegria ver um grande grupo de famílias que optam por passar um dia em conjunto desfrutando com gosto do que a Natureza lhes oferece.
Posso dizer que a actividade “rolou” sem contratempos de maior.
Os miúdos, fazendo imperar a sua irreverência, iam liderando o caminho pedalando e esperando pelos mais velhos que vinham na maior das calmas.

O estradão que percorremos é completamente plano e muito fácil de se percorrer, pelo que ninguém teve dificuldade de maior e no regresso, os menos habituados,já se vinham a queixar do rabiosque.
Mas os miúdos não … sempre a andar.
É claro que a tal bike elegantérrima teria que voltar a dar o ar da sua graça mas, desta vez, com um furo verdadeiro. O problema é que sendo uma roda 28”, ninguém tinha câmaras-de-ar sobressalentes … nem a dona.
Felizmente já não estávamos longe e deu para “desenrascar”.
Quando me perguntam se as actividades correram bem, tenho dificuldade em falar em causa própria pelos diversos motivos conhecidos, mas quando no final de uma actividade vejo tantas caras de satisfação, não posso dizer outra coisa a não ser que correu muito bem - e a corrente aguentou até ao fim.
Bem-hajam,
David Monteiro


