Três meses de invernia e a seguir um dia de sol, fantástico não é?Mas ainda mais fantástico é nesse dia estarmos no sítio certo à hora certa … tive essa sorte.
Desde o Verão passado que não “dava banho” à canoa e quando saí de casa preparei-me para um de dia chuva cortado a vento a bater na pele humedecida pela água fria do rio.
Efectivamente o cenário não era apetecível mas queria aproveitar o dia de folga.
Pouco tempo depois de começarmos a viagem de carro até ao ponto de partida, a chuva acariciou-nos com a sua visita. Os companheiros que iam andar de bicicleta já pensavam em passar o dia a preguiçar em alguma esplanada e eu estava a ver a coisa mal parada.
Creio que as forças do universo só estavam a testar a determinação que trazíamos.
A viagem de Lisboa até Foz de Alge terminou já com o sol a prometer que se deixaria de esconder.
… protector solar … água … sandes … boné … música … máquina fotográfica …
Tudo pronto para partir e em pouco tempo deixei de ver os companheiros que se afastaram montados nas sua bicicletas, depois disso só o vento e o barulho do chapinhar dos remos.
O cheiro da água de rio é inequívoco, cheira a água do pote.
As margens mostram as marcas da erosão, do desgaste que a água vai infligindo e nas rochas ficam as marcas de anteriores cheias.
Um companheiro vem comigo até parte do percurso e daí voltará a pé para recolher o carro.
Já sozinho coloco os auscultadores e na mica cabeça tocam as músicas que idealizei para aquele momento.
Senti o momento como sendo o perfeito e a canoa desliza pelas águas impulsionada por uma subida descarga de adrenalina. Não sinto e esforço, só vejo Dornes a aproximar-se sem que me tenha dado conta do espaço que percorri.
Faltam 15 minutos para as duas da tarde e só me apetece continuar a remar.
Trísio fica a mais uma dezena de kilometros dali e por isso continuo.
Ao passar a ponte sobre o Zêzere paro para gozar o momento, sinto-me bem … este é mesmo o local onde mais me apetecia estar neste momento e aqui estou.
David Monteiro


