Terça-feira, Agosto 11, 2009

Baía do Seixal - canoagem

Na sequência do artigo anterior sobre a Baía do Seixal, fiquei de apresentar um percurso de canoa na baía.

Não me canso de repetir: a ideia fixa que a maioria dos desconhecedores tem sobre este espaço é que é uma zona de lodo e mau cheiro etc etc e tudo o mais que se possa dizer em termos negativos ... tudo isso é fruto de ignorância pois esta é uma zona espectacular e de extrema importância para a biodiversidade.

A Baía do Seixal sofre fortemente da influência das marés e, sendo uma baía com um apertado estrangulamento de entrada e saída de água, quando a maré está a encher esta arrasta-nos para dentro da baía e quando começa a vazar somos levados no sentido de saída da baía. Desta forma, a proposta de percurso parte do ponto A que é uma zona de praia fluvial mesmo em frente ao jardim e ao lado da antiga estação fluvial do Seixal.

Mesmo em frente ao ponto de partida podemos ver a Ponta dos Corvos, com a sua animada esplanada. É um espaço muito curioso porque, não obstante estar mesmo à frente ao Seixal, talvez a uns 200 ou 300m, se quisermos ir de carro percorreremos cerca de 15km's.

É uma zona com vários moinhos de maré, infelizmente na sua maioria em muito mau estado e cuja excepção já irei referir.

O primeiro ponto de paragem leva-nos até ao ponto B que coincide com o Moinho de Maré de Corroios, esteve em obras de melhoramentos e que esperamos venha a estar aberto ao público em Setembro, segundo informações que obtive da Câmara Municipal do Seixal. Sinceramente aguardo com alguma ansiedade a sua abertura pois já se encontra fechado há vários anos e é uma estrutura muito interessante.

O Moinho de Maré de Corroios (ponto B no mapa) tem uma história muito interessante e aconselho visitar este link: http://www.cm-seixal.pt/CMSEIXAL/TURISMO/O_QUE_VISITAR/Navegacao_Secundaria/LOCAIS_INTERESSE/. Não me irei deter muito sobre este tema pois os moinhos de maré são um tema tão interessante que espero poder vir a escrever algo só sobre os moinhos de maré que podem ser visitados nos arredores de Lisboa.




Qualquer pessoa que faça este percurso poderá avistar um vasto leque de tipos de aves muito interessantes. Pernilongos, ostraceiros, gaivotas, garças e outras. É uma zona plena de vida e é fácil compreendermos a necessidade de ser preservada.

Se seguiram o conselho de sair do areal do Seixal com a maré a encher, tiveram uma boa ajuda até aqui. É normal e desejável que se tenham demorado a fotografar e a contemplar o sapal e devem ter demorado uma hora e meia pelo que é tempo de ir até ao próximo ponto.

Do ponto B passamos ao ponto C onde se localizam os estaleiros que deixam transparecer a enorme importância que a indústria da construção naval teve/tem/terá nesta zona.

Hoje em dia esta zona de estaleiros fornece-nos óptimas perspectivas de fotografia e dão um ar ao local que se equilibra a meio caminho entre um ambiente decrépito e um espaço de arquitectura industrial digno de ser fotografado.

De qualquer dos modos, estes estaleiros só teriam a ganhar com um processo de requalificação do espaço.

É necessário ter cuidado pois há embarcações que estariam atracadas ou fundeadas por essas bandas e acabando-se por afundar ali ficaram, sendo hoje não mais que paus ou ferros espetados para cima, o que pode provocar danos à embarcação.

Ao vermos tantas embarcações que aqui têm a sua última morada, é fácil que a nossa imaginação voe para cenários de névoas marítimas onde só se ouve o ranger das amarras e aparecem estes barcos à deriva ... é a imaginação a "flutuar".

Remando até ao ponto D encontramos a zona ribeirinha da Amora, uma zona recuperada para passeio à beira rio onde podemos encontrar um conjunto de restaurantes que nos propõem grelhados de peixe e carne.

Aconselho vivamente experimentarem jantar nesta zona numa noite de maré-cheia em que as luzes dos candeeiros à volta da baía fazem reflexo nas águas calmas … um panorama fantástico.

Nesta zona há uma rampa e vários pontos de atracagem, especialmente interessante para sair, descansar um pouco e tirar umas fotos da baía e do Seixal.

Por esta altura já a maré estará a mudar e será hora de voltar ao ponto de partida e regressar a casa com um excelente dia na memória.

Fiz uma boa parte deste percurso na companhia da Fernanda Macedo que gentilmente cedeu as fotos que vemos neste artigo, obrigado Fernanda.


David Monteiro