
Para localizarem a zona onde esta actividade se passa, indico no Google Maps onde fica o Lago de Sanábria, sigam este link: http://maps.google.com/maps?q=42.122928,-6.71771&num=1&sll=42.123437,-6.70578&sspn=0.035777,0.090551&ie=UTF8&ll=42.123564,-6.70578&spn=0.037369,0.090551&z=14&iwloc=A
Este é um local de actividade que visito com alguma regularidade.
A originalidade desta actividade prende-se com o facto de terem sido organizados dois grupos distintos, na mesma altura, para fazerem duas actividades distintas. Um grupo de pessoas mais experientes e outro de iniciados.
Quem está de fora poderá pensar que esta seria “mais uma” actividade, já que o local se repete mas esse não é, de todo, o sentimento que vivi.
É lógico que o impacto que temos quando vemos um local pela primeira vez é, por definição, única. No entanto, revisitar este local é sempre uma aventura porque, com excepção do Verão em que temos uma maior certeza de calor, no Inverno tudo pode acontecer: desde termos dias espectaculares a repentinamente tudo se transformar numa tempestade de vento, neve ou ficarmos rodeados por um nevoeiro tão espesso que parece que se pode cortar às fatias.
O grupo alargado de iniciados e pessoal mais experiente estava altamente motivado e o tempo estava excelente, o sol brilhava, havia pouco vento e muito frio … perfeito.
Arrancámos todos da Lagoa dos Peixes em direcção ao cume Picon, sem que tal fosse um objectivo a que quiséssemos imperiosamente atingir. O caminho servia o grupo experiente porque estava no trajecto de Peña Trevinca e para os iniciados era a experiência de caminhar na neve e, só isso, já era uma actividade e tanto.
As expressões de contentamento geral relembram-me o quanto gosto de fazer estas actividades. É aqui que a escrita e as imagens só complementam a cabal descrição que as expressivas imagens já fazem pelos sorrisos e as inequívocas expressões.
Eu acompanhava o grupo mais experiente para ir acampar na base de Peña Trevinca e, entretanto, deixámos o grupo de iniciados a cargo do Pedro Costa, ainda o Pico estava escondido por outros montes.
Desdo o ponto nos encontrávamos, iríamos aproveitar o declive negativo que nos levaria a uma vale em direcção ao nosso destino. Ao diminuirmos de cota sentimos que a neve ia cedendo ao nosso peso, especialmente os meus quase 90Kg ao que se acrescentava o peso da mochila.

Seriam umas 16:30 quando chegámos à base de Peña Trevinca. Era demasiado cedo para terminar a actividade e parámos um pouco antes para preguiçar junto a uma teia de regatos que fazia sons altamente relaxantes.
O que vem a seguir não é novidade porque se trata de montar tendas, jantar e tudo mais e o resto.
A noite estava fria e muito ventosa. Lembro-me de ter que levantar-me a meio da noite e toda a água onde chapinávamos ao jantar estava congeladíssima.
No dia seguinte, o objectivo do era a subida a Peña Trevinca (2124m).
A partir da base, a grande parte das encostas são pouco íngremes e curtinhas, calculávamos que em hora e meia estaríamos no cume daí que optámos por escolher uma parte mais íngreme e muito gelada para fazer algumas práticas que são fundamentais relembrar.
Progressão na vertical, na horizontal e descida. Foi o que deu para fazer mas que ainda nos ocupou umas boas duas horas e deu para nos divertirmos.
Depois destas actividades fomos até ao cume e aí é a cereja em cima do bolo, é o ponto mais alto da região e o céu estava limpo, deixando ver até bem, bem longe.
O regresso é longo, são montículos depois de montículos.
No final deste segundo dia os dois grupos voltam a reunir-se nos carros ao final da tarde.
Chegámos com um desfasamento relativamente pequeno de alguns minutos entre os dois grupos.
Os sorrisos são como que automáticos e estampam a alegria do reencontro.
A sensação de chegar é fantástica e deixa um delicioso sabor de “já está”.
Recordando toda a actividade, não consigo destacar o momento que mais tenha preenchido mas houve uma situação original que não deixarei passar.
Seriam umas 5 da manhã quando dei a alvorada ao grupo que estava comigo a acampar e, dos 4, só saíram 3 das tendas.
Bom, faltava o Japonês e achei que simplesmente estaria a fazer ronha mas como demorava tanto fui à tenda e, pela primeira vez, ouvi alguém dizer: “Vão vocês, eu fico a descansar, já lá estive antes”.
Foi a gargalhada geral pelo insólito da situação.
Escrevo este artigo passados uns bons meses desta actividade mas imagens são ainda muito frescas, foram excelentes momentos.
Obrigado pela vossa confiança e presença.
Bem-hajam,
David Monteiro
Mais fotos da actividade:
http://s692.photobucket.com/albums/vv283/davidjosemonteiro/200903Sanabria/Grupo/?action=view¤t=ab74d279.pbw


