
Ao caminhar por São Miguel deparei-me com uma flor lindíssima e, era tão abundante, que não entendia porque razão não a referenciavam como um dos ex-líbris da ilha, sem conhecer o seu nome chamei-lhe “amarelinha”.
Com um amarelo tão forte e atrevido que capta a atenção dos mais distraídos e, como se tal não bastasse, mostra-nos os seus estiletes de vermelho vivo em pleno contraste.
É de facto uma flor espectacular nas suas formas e cores.
Vi encostas carregadinhas desta flor formando um espectáculo digno de ser visto.
Quando falamos de Açores a alguém do continente é comum falar de hortenses como “a flor” açoriana e, não obstante de tal ser justo, injusto, correcto ou incorrecto não entendia como esta “amarelinha” podia ser tão ignorada ou esquecida.
Na primeira oportunidade comentei este meu espanto a açorianos mais entendidos e não podia prever a má reacção que daqui poderia advir.
A “amarelinha” efectivamente chama-se Conteira, Hedychium Gardneranum, é uma planta oriunda dos Himalaias e é uma planta infestante.
Cresce de forma desmesurada por todo o arquipélago, com excepção do Corvo, segundo julgo saber, ninguém sabe como poderá ter sido introduzida e não se conhecem efeitos positivos desta planta nestes locais.
A Conteira nasce de um bolbo que retém impressionantes quantidades de água e, quando observamos uma encosta repleta desta planta efectivamente estamos a ver um potencial problema futuro, a possibilidade de derrocadas de terra pelo peso acumulado nos seus bolbos.
Por crescer de um bolbo, torna-se tão eficaz como o pior dos cancros, arrancando-se sempre fica uma parte do bolbo que dará lugar a futuros rebentos.
Diz o ditado: quem vê caras não vê corações. Neste caso quem vê a flor não lhe vê os problemas.
Onde a Conteira cresce nada mais tem lugar e sistematicamente vai preenchendo o espaço que antes estaria dedicado à vegetação autóctone … parece-me um eucalipto açoriano.
Logicamente ninguém pense que todos estes dados possam ou pretendam reduzir a beleza da planta, nada podia ser mais ridículo de dizer. O que se passa é que parece estar no local errado ameaçando o que é para ali estar, como é o caso da vegetação espontânea que forma a Laurisilva agora ameaçada.
Não tenho qualquer formação científica nestas áreas e o que escrevo é fruto de uma alguma sensibilização que recebi e de breve pesquisa que fiz sobre este assunto. Peço a quem quer que tenha formação, informação e queira contribuir para este assunto que me escreva e posteriormente publicarei resumos do que receber.
Bem hajam,
David Monteiro


