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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2017

Refúgio Saboredo, Aigüestortes, Espanha

Encontrar uma cerveja a meio da montanha é como um sonho. Não há quem faça trajetos de montanha que, atravessando uma montanha num dia de calor, não tenha dito “o que vinha agora a calhar era uma cerveja”. Se não disse é porque não gosta de cerveja e então é compreensível. Acontece porém que, se tudo corre normalmente, esse desejado local para beber o néctar simplesmente não existe. Procuramos o isolamento que a montanha nos dá mas ao mesmo tempo o que queremos é uma esplanada com uma bela cervejola … e se houver uns petiscos para acompanhar tanto melhor, é a festa completa. Conhecendo o género humano português sei que ao ler isto uns quantos já estão a pensar contrariar este raciocínio … “eu quero um chá” … pois seja um chá que não fará qualquer diferença para o raciocínio em questão. Se não levarem o chá ou a cerveja, dificilmente encontrarão um “chiriguito” onde o/a dito e a palavra dificilmente não foi escrita ao acaso. Quando caminhamos do Refúgio de Amitges para o Refúgio de Co…

Caminhar nos açudes do rio Alva, Portugal

Há uns anos liderei um conjunto de caminhadas em atravessavam os açudes do rio Alva. Não sei quantos açudes terá o rio e nem é esse o objetivo neste momento. O certo é que estas estruturas sempre me fascinaram pela sua força constante e pela sua presença não impeditiva que a água corra mas ao mesmo tempo criando uma acumulação e concentração de vida por abrandar a sua fluência. Os percursos foram desenhados para cruzar o rio várias vezes caminhando em cima das represas pelo que o grande desafio foi conjugar a meteorologia o mais favorável possível com o caudal do rio Alva suficientemente forte para ter alguma massa de água que fosse interessante mas, ainda assim, que se deixasse cruzar sem que a água arrastasse os caminhantes enquanto estes caminhavam em cima dos açudes. Os grupos de caminhantes eram constituídos sempre aceitando esperar pela melhor altura para ir fazer o percurso pedestre. Também há a considerar que essa “avaliação” era empírica e feita desde Lisboa mas com base na …

Caminhada na encosta do vulcão até Cova, Santo Antão, Cabo Verde

A caminhada que passa por Cova, em Santo Antão, é uma das mais procuradas na ilha. À medida que o táxi ia-se aproximando do Paúl, eu ia compreendendo melhor a razão que levava os locais a dizerem que o percurso Cova/Paúl se deve fazer descendo e não subindo como eu queria fazer. À minha frente ia-se revelando a subida de 750m de desnível acumulado que teríamos que enfrentar ao longo da manhã que parecia simultaneamente desafiante e demorada. O nosso motorista, Neu, perguntou-nos uma última vez em tom de gozo se tínhamos a certeza que era isso mesmo que queríamos fazer e, face à nossa resposta positiva, com um tom algo jocoso disse “é capaz de ser difícil”. A vida agitada deste motorista que também faz criação de porcos, galinhas e peixes de aquário, não passava por ser guia de caminhadas, profissão não o atraia nada e, tal como ele dizia, esse não era um trabalho para ele que sonhava em ter um talho em Porto Novo. Antes desta viagem tive oportunidade de estudar estes trilhos e já sab…

Via ferrata Les Baumes Corcades, Espanha

Classificada como K4, num máximo de K6 na Escala de Hüsler, ou seja Difícil, esta via ferrata localiza-se perto de Centelles, província de Barcelona, Espanha.
É uma via ferrata sobejamente conhecida pela sua ponte tirolesa/himalaia de cabos paralelos com 68m de comprido a cerca de 25m de altura, para além de outros obstáculos muito interessantes tal como alguns passos subprumados - palavra utilizada na gíria da escalada mas que não se encontra no dicionário da língua portuguesa e que se refere a uma parede com inclinação que se assemelha a um teto, ou quase. A certo dia eu liderava a atividade onde levava dois escaladores comigo. Os dois escaladores eram pouco experientes e sabia que teria que montar segurança de top-rope em alguns locais. Sabia também que um dos escaladores iria optar por contornar os obstáculos mais difíceis por se sentir pouco à vontade nessas situações. O dia seguia com a sua excitação e adrenalina próprias. O pequeno grupo estava delirante e tudo corria muito bem com…

(Re)Andar de bicicleta

Andar de bicicleta dá-me uma imensa sessão de liberdade. Não duvido que o mesmo possa acontecer com outras actividades para outras pessoas mas para mim quando ando de bicicleta é quando sinto esta sensação de forma mais vincada. Tal como tantas outras pessoas, quando era miúdo andava imenso de bicicleta mas por qualquer motivo que não consigo perceber deixei de o fazer.
Passei muitos anos sem andar de bicicleta até que há uns dez anos, por insistência do meu amigo Zé Gil, acabei por voltar a pegar numa e nunca mais consegui afastar-me muito tempo de uma bicicleta. Como qualquer (re)iniciado, a princípio andava pouco tempo, fazia distâncias muito curtas mas tinha muito prazer nisso. Naturalmente as ditas voltinhas começaram a ser mais longas, para locais mais interessantes e o desnível ia deixando de ser um entravo. Claro que experimentei várias “modalidades”, claro que ao praticar BTT caí até e aleijei-me ao ponto de pensar que talvez esta não fosse uma actividade para mim. Afinal de …

Caminhar De Fuenterrabia a San Sebastian, Espanha

A caminhada de San Sebastian/Donostia a Hondarribia é, seguramente, uma das mais espectaculares que podemos encontrar na região. Olhei para o mapa e vi que San Sebastian fica a uns 20 ou 30Km da fronteira Espanha/França sempre pela costa e, vendo mais ao pormenor, consegui definir trilhos e de imediato acendeu-se uma luz na minha cabeça … “isto tem pernas para andar, pode dar uma caminhada muito  interessante”. De facto, quando estamos na zona das encostas perto da cidade temos uma visão muito ampla do Golfo da Biscaia abrangendo território espanhol e francês. Assim sendo, e com a intenção de adicionar um dos dias de caminhada à viagem ao País Basco (1), fui testar o trilho entre Hondarribia e San Sebastian. O percurso provou-se ainda mais interessante do que esperava e depois de algumas correcções acabei por ter 27Km de caminhada mas que pode ter versões mais curtas, exactamente como eu gosto (2). Inicialmente encontrei um percurso marcado que se apresenta um pouco mais longo e com …

Relaxando em São Jorge e contemplando o Pico

É fim do dia e acabei a minha sessão de alongamentos após um belo dia de caminhada em São Jorge, o paraíso açoriano para caminhantes, e daqui contemplo o Pico. Ouvia uma música enquanto me esticava. Já a tinha preparado para este momento de descompressão. Relaxo, calam-se as vozes da minha cabeça, instala-se o silêncio que agora é preenchido pela melodia e deixo-me levar na onda. No fim da sessão sinto uma leve sonolência que não me adormece mas me mantém a pairar a um palmo do chão. Usufruindo desta sensação deslizo até ao sofá onde me espera o meu sábio e silencioso amigo tinto. Confraternizo com este amigo enquanto o seu curto futuro assim permite e entretanto vou contemplando o Pico e aproveitando do que resta deste dia de sol. Já não oiço a música, só mesmo a minha respiração e o insistente bater do coração que agora bate mais espaçado. Há coisas boas na vida. Bem-hajam, David Monteiro

Artigo original Nota: a fotografia foi tirada nas instalações da Quinta de São Pedro

Amesterdão e os seus canais, Holanda

As paralelas que se encontram no infinito têm um significado especial em Amesterdão.Caminhei em Amesterdão como qualquer turista, horas a fio para cá e para lá. Nos vários dias que aqui estive ainda juntei a demorada visita a um par de museus para ver algumas pinturas que sempre povoaram o meu imaginário. Sem qualquer originalidade, fiquei deslumbrado com o mar de bicicletas também pensei “estes tipos fazem tudo de bicicleta” e tirei um incontável número de fotografias incluindo ciclistas nas mais diversas situações … sim sim, daquelas em que os locais levam duas ou três crianças a reboque ou à frente. No primeiro dia, ao chegar ao hotel batelão após muitas horas a andar, vi as fotografias e tive uma sensação de enjoo tão grande que me apeteceu apagar a pasta completa mas acabei por não ter assim tanta coragem. Não me aborrece tirar fotografias cliché desde que, no mínimo, me pareçam apelativas esteticamente. O problema é que estas fotografias estavam razoáveis e por si só isso é um prob…

Subir o Pico com ou sem guia?

A resposta a esta pergunta é capaz de não agradar a muitos caminheiros.Para qualquer português/portuguesa praticante de caminhada, montanhismo ou algo do género, chega sempre o momento em que pensa subir o Pico, é inevitável. Esta imensa montanha que dá nome à ilha, também domina a paisagem das ilhas a seu redor quer seja de São Jorge e Faial como também da mais longínqua Graciosa. Naturalmente que estou a referir a vista que temos dos ângulos onde se encara o Pico desde as referidas ilhas. Vi pela primeira vez o Pico em 1987 quando cumpria o serviço militar na Armada Portuguesa e aproximava-me da ilha a bordo da fragata NRP João Belo. De longe, ao ver uma ilha que flutuava num mar de nuvens não conseguia compreender o que se passava. Há que lembrar que nessa altura ainda não havia o acesso que temos hoje em dia a informação sobre os locais para onde vamos, ou seja não havia Google onde ver fotografias, ler críticas e ver fotos sobre o Pico e a sua montanha, o recurso a bibliografia era …

Caminhada até ao farol de D Amélia, São Vicente, Cabo Verde

Numa viagem de caminhada em São Vicente, Cabo Verde, torna-se imperativo percorrer o trilho que nos leva ao Farol D Amélia.O trilho inicia-se junto à localidade de São Pedro, uma comunidade piscatória que é a primeira que vemos pela janela do avião ao aterrar no aeroporto Cesária Évora, em São Vicente. Este pacato povoado de pescadores olha com curiosidade quem aqui vem caminhar, afinal de contas este cenário idílico é o seu quotidiano que até lhes parecerá banal. Porém, para quem aqui vem passar um dia tudo é extraordinário. Tomamos a direção do hotel que se vê no extremo oposto da praia. Este rumo é sentido como natural porque a praia que temos à nossa frente convida a caminhar ao longo da margem onde a areia é rija e a paisagem está no seu auge de beleza. O hotel/resort que se vê na praia, o Foya Branca, é muito procurado por quem vem fazer windsurf e kitesurf, as pranchas à porta do hotel, as velas e as asas a cruzar as águas e o céu fazem-se notar. O trilho propriamente dito começa lo…

Vigia do Castelo, Ilha de Santa Maria, Açores

Felizmente, hoje protegemos animais que antes perseguíamos.Na Ilha de Santa Maria, Açores, encontramos a Vigia do Castelo que, se não me engano, pertence ao Centro Interpretativo Baleeiro da Maia. Este era um dos muitos locais de avistamento da baleia que podemos encontrar no arquipélago dos Açores. Em excelente conservação, este posto de vigia relembra-nos tempos idos em que as gentes locais se dedicavam a uma atividade, a baleação, então fundamental para a sua subsistência mas que a atualidade nos mostra que foi possível abandonar. Esperamos que a memória do sacrifício desses magníficos animais sirva não só para a sua atual proteção e conservação como também para o despertar da consciência para a proteção de tantas outras espécies ameaçadas. David Monteiro
Artigo original

Estátua do Neptuno passeando-se em Lisboa

De repente percebo que a estátua do Neptuno passeou-se mais em Lisboa do que eu imaginava.O início desta história nada tem a ver com o final e menos ainda com o meio por isso vamos lá começar a pôr ordem na casa. Início da históriaHá uns dias uma amiga publicou numa rede social uma fotografia da estátua do Neptuno que está no Largo D. Estefânia. Ao ver a fotografia que foi amavelmente feito com um telemóvel percebi que a dita não podia fazer justiça à beleza da estátua que foi recentemente recuperada. Ainda assim, deu para perceber que finalmente a fonte estava novamente iluminada após um largo período de recuperação. Antes que possa ser vandalizada e enquanto está limpa é a altura perfeita para tirar um par de retratos. Claro que também foi um excelente motivo de convívio com um amigo fotógrafo que aceitou o desafio de imediato e fez o favor de me acompanhar na tarefa. Após lanchar e esperar um pouco para que o cair do dia se fizesse anunciar, começamos a montar o equipamento e num ápice…

De bicicleta pelas Aldeias Avieiras, rio Tejo

O circuito de bicicleta que liga as Aldeias Avieiras do Tejo está entre os meus favoritos na zona ribatejana.
Nestes dias de chuva em que não me apetece andar de bicicleta, não deixo de sentir alguma nostalgia por dias de bom tempo. Felizmente esta nostalgia boa tem mais tarde reflexo na concretização de constantes e boas aventuras. Prometi a uns amigo voltar a fazer o passeio Aldeias Avieiras em bicicleta mas com almoço a meio caminho e assim farei em altura de bom tempo. Para já partilho um pequeno filme dos locais. Boa semana, David Monteiro

Fonte do artigo

Caminhar De Fuenterrabia a San Sebastian, Espanha

A caminhada de San Sebastian/Donostia a Hondarribia é, seguramente, uma das mais espectaculares que podemos encontrar na região.
Olhei para o mapa e vi que San Sebastian fica a uns 20 ou 30Km da fronteira Espanha/França sempre pela costa e, vendo mais ao pormenor, consegui definir trilhos e de imediato acendeu-se uma luz na minha cabeça … “isto tem pernas para andar, pode dar uma caminhada muito  interessante”. De facto, quando estamos na zona das encostas perto da cidade temos uma visão muito ampla do Golfo da Biscaia abrangendo território espanhol e francês. Assim sendo, e com a intenção de adicionar um dos dias de caminhada à viagem ao País Basco (1), fui testar o trilho entre Hondarribia e San Sebastian. O percurso provou-se ainda mais interessante do que esperava e depois de algumas correcções acabei por ter 27Km de caminhada mas que pode ter versões mais curtas, exactamente como eu gosto (2). Inicialmente encontrei um percurso marcado que se apresenta um pouco mais longo e com …

Caminhadas no País Basco, Espanha e França

No final de 2016 fez três anos que comecei a guiar umas caminhadas no País Basco, Espanha e França, e confesso que tem ultrapassado as minhas expetativas em diversos campos.
Igual a uma imensa multidão de pessoas que conheço, já tinha ida a San Sebastian passar um dia ou dois, já tinha comido uns pintxos e também dizia que conhecia o País Basco … estava muito longe da verdade. Efetivamente há muitas regiões onde conseguimos ter uma sensação da cultura local com uma curta visita. Sabemos que não conhecemos bem o sítio mas conseguimos trazer para casa uma ideia geral. Hoje sei que subestimei o País Basco. O “país” com a língua viva mais antiga da Europa e cujas origens deste idioma se desconhece só poderia ter uma cultura própria cheia de particularidades interessantes e muito diferentes do que estamos habituados na Península Ibérica. Digamos que as pistas que conduziam a esta conclusão estavam à vista mas ainda assim caí no erro de pensar que poderia ter uma vaga ideia num curto espaç…