Avançar para o conteúdo principal

Amesterdão e os seus canais, Holanda

As paralelas que se encontram no infinito têm um significado especial em Amesterdão.

Caminhei em Amesterdão como qualquer turista, horas a fio para cá e para lá. Nos vários dias que aqui estive ainda juntei a demorada visita a um par de museus para ver algumas pinturas que sempre povoaram o meu imaginário.
Sem qualquer originalidade, fiquei deslumbrado com o mar de bicicletas também pensei “estes tipos fazem tudo de bicicleta” e tirei um incontável número de fotografias incluindo ciclistas nas mais diversas situações … sim sim, daquelas em que os locais levam duas ou três crianças a reboque ou à frente.
No primeiro dia, ao chegar ao hotel batelão após muitas horas a andar, vi as fotografias e tive uma sensação de enjoo tão grande que me apeteceu apagar a pasta completa mas acabei por não ter assim tanta coragem.
Não me aborrece tirar fotografias cliché desde que, no mínimo, me pareçam apelativas esteticamente. O problema é que estas fotografias estavam razoáveis e por si só isso é um problema, tal como a água morna … não impacta.
No dia seguinte continuava entusiasmado com a cidade e o apelo a disparar não tinha diminuído mas senti que faltava alguma coisa.
Adorava ter daqueles "cliques" que ouvimos outros a dizerem que têm mas isso também não aconteceu.
Após um par de voltas sem melhoras foi um excelente momento para parar e ver a cidade de um ponto mais elevado, neste caso desde uma cafetaria que se encontra no terraço de um dos poucos prédios altos da cidade. A mudança de perspectiva começou a dar frutos.
Ao rever as fotografias vi que o problema não estava tanto nas fotografias que as considerei decentes, mas sim na falta de tema ou de fio condutor e por isso tudo me parecia sem ângulo nem alma.
O que se passava? Considerando que Amesterdão é uma cidade com a qual me identifico muito, tenho ali vários amigos e nessa altura ainda tive oportunidade de revisitar uma amiga de longa data, a Paula que me deu a conhecer o Hélder, o seu marido, com quem imediatamente senti uma imensa afinidade. O que se passava?
Afinal as fotografias que tirava tinham algum fio condutor que eu não conseguia identificar. Esta sensação indefinida dizia-me que de forma inconsciente havia um tema que me atraia.
Foi necessário algum distanciamento e uma mudança de perspectiva para voltar a ver as fotografias e perceber o que captou o meu olhar de forma espontânea: as linhas paralelas dos canais que convergem para um ponto de fuga e que o olhar detectou automaticamente.
Se esta tranquilidade que a simetria me deu agarrou a minha atenção de forma tão subliminar, ao cair do dia este bem estar transformou-se numa necessidade com o acender das luzes que em cada margem vincam as arestas destes canais dando corpo à ideia que as paralelas encontram-se no (in)finito.
David Monteiro

Mensagens populares deste blogue

Cascata da Ribeira Grande, Ilha das Flores, Portugal

De Santa Cruz das Flores para a Fajã Grande, uma imensa cascata, a Cascata da Ribeira Grande. Estava na Ilhas das Flores, Açores, de férias e, ao contrário do resto do ano, não queria caminhar nem fazer qualquer tipo de atividade física. Queria usufruir do local dado que atividade física já a tenho durante o resto do ano. Mas há dois dias que chovia torrencialmente e fazia um mau tempo muito caraterístico da tipologia de surpresas que os Açores nos pode oferecer. O tempo estava tão mau que as ligações de e para as Flores foram cortadas e ficámos sem poder ir passar uns quantos dias à ilha do Corvo. Também caraterístico dos Açores é a rapidez com que tudo muda pelo que de repente o sol apareceu como se nada tivesse acontecido e toda a vida seguiu em frente, mas a revisita à ilha do Corvo acabou por ter que ficar para outra altura já que era tempo de seguir para o destino seguinte, a Fajã Grande.
No caminho de Santa Cruz das Flores para a Fajã Grande houve algo que nos interrompeu a vi…

Estátua do Neptuno passeando-se em Lisboa

De repente percebo que a estátua do Neptuno passeou-se mais em Lisboa do que eu imaginava.O início desta história nada tem a ver com o final e menos ainda com o meio por isso vamos lá começar a pôr ordem na casa. Início da históriaHá uns dias uma amiga publicou numa rede social uma fotografia da estátua do Neptuno que está no Largo D. Estefânia. Ao ver a fotografia que foi amavelmente feito com um telemóvel percebi que a dita não podia fazer justiça à beleza da estátua que foi recentemente recuperada. Ainda assim, deu para perceber que finalmente a fonte estava novamente iluminada após um largo período de recuperação. Antes que possa ser vandalizada e enquanto está limpa é a altura perfeita para tirar um par de retratos. Claro que também foi um excelente motivo de convívio com um amigo fotógrafo que aceitou o desafio de imediato e fez o favor de me acompanhar na tarefa. Após lanchar e esperar um pouco para que o cair do dia se fizesse anunciar, começamos a montar o equipamento e num ápice…

2017 07 01 - Trekking no Parque Nacional de Aigüestortes

Trekking no Parque Nacional de Aigüestortes (Carros de Foc) , Pirenéus, Espanha Carros de Foc, um dos mais espetaculares percursos de trekking dos Pirenéus, com cerca de 200 lagos e cumes que rondam os 3000m de altutide e, ainda assim, de dificuldade moderada.
Partida: 1 de Julho, 2017 - Chegada: 7 de Julho, 2017 Data limite de inscrição: 15 de Maio de 2017
Local de partida e chegada: Barcelona, Espanha O Parque Nacional de Aigüestortes O Parque Nacional de Aigüestortes localiza-se na zona central dos Pirenéus e é o único Parque Nacional situado na Catalunha dividindo o seu território entre as comarcas de Vall d’Aran, Pallars Sobirá, Alta Ribagorça e Pallars Jussà, cerca de 200km’s a oeste de Andorra.
Criado em 1955 cobre hoje em dia uma área de aproximadamente 40.000 hectares considerando as zonas periféricas protegidas e é um espaço natural de extrema beleza em que os elementos água e granito aparecem no seu máximo esplendor em combinações surpreendentes.
Com uma elevada concentração de …