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Caminhadas no País Basco, Espanha e França

No final de 2016 fez três anos que comecei a guiar umas caminhadas no País Basco, Espanha e França, e confesso que tem ultrapassado as minhas expetativas em diversos campos.


Igual a uma imensa multidão de pessoas que conheço, já tinha ida a San Sebastian passar um dia ou dois, já tinha comido uns pintxos e também dizia que conhecia o País Basco … estava muito longe da verdade.
Efetivamente há muitas regiões onde conseguimos ter uma sensação da cultura local com uma curta visita. Sabemos que não conhecemos bem o sítio mas conseguimos trazer para casa uma ideia geral.
Hoje sei que subestimei o País Basco.
O “país” com a língua viva mais antiga da Europa e cujas origens deste idioma se desconhece só poderia ter uma cultura própria cheia de particularidades interessantes e muito diferentes do que estamos habituados na Península Ibérica. Digamos que as pistas que conduziam a esta conclusão estavam à vista mas ainda assim caí no erro de pensar que poderia ter uma vaga ideia num curto espaço de tempo.
O que inicialmente me levou a pensar numa viagem de caminhada no País Basco é fácil de entender.
Começou por me atrair a ideia de o País Basco, enquanto comunidade histórica, ter parte do seu território em Espanha e outra parte em França. Este facto, por si só, é algo atraente para uma viagem, podermos caminhar entre países tem um certo glamour.
Por outro lado esta região espano francesa tem uma frente marinha com muitas possibilidades de caminhada ao longo dessa linha costeira.
Claro que, pela minha cultura geral, já tinha alguma ideia sobre a cultura basca e que me fascinava.
Muitos atrativos que se conjugavam na perfeição.
Decidido a organizar uma viagem de caminhada no País Basco, comecei por passar uns dias a visitar a zona e tive a sorte de visitar o museu San Telmo em San Sebastian que é um museu dedicado à cidade mas onde também encontramos muitas peças e informações sobre a Heuskal Herria.
É um museu cuja coleção não posso considerar fabulosa, até porque não tenho os conhecimentos suficientes para saber se é o não mas foi para mim um passo fundamental para clarificar o que teria que procurar ou tentar conhecer no País Basco.
Logicamente que San Sebastian, com toda a sua História e o seu ambiente elegante, cosmopolita e progressista, está em merecido destaque neste museu.
Percebi que o contexto rural, para além de ser naturalmente diferente da vida costeira, tem uma cultura muito própria onde também encontramos ícones da identidade basca.
Na minha busca sobre que elementos inserir na viagem e falando com um dos donos de um dos hotéis que hoje em dia visito com regularidade, percebi que na história recente da região há um antes e um depois da existência do Guggenheim em Bilbao.
Assim sendo ficou claro que teria de incluir uma visita a Bilbao e ao Guggenheim mas depois desta conversa fiquei ainda com mais curiosidade e razões para o fazer.
E como se vive este sentimento de ser basco do lado francês?
Nada melhor do que perguntar a quem lá nasceu e que agora vive do lado espanhol. A resposta é surpreendente e leva-nos a tempos da Guerra Civil espanhola de 36/39 mas será motivo de um texto próprio.
Com uma passagem pela zona costeira, uma visita à zona rural, uma experiência do lado francês, algum tempo passado em Bilbao terminando com uma visita ao Guggenheim já tinha a fórmula quase completa.
Naturalmente que muito fica de fora e muito, mas mesmo muito fica por ver mas já é abordagem mínima a esta região de modo a que se leve alguma ideia desta cultura milenar.
Estando definida a fórmula para produzir a viagem ao País Basco, faltava estudar e preencher os dias de forma consistente e essa tem sido uma longa e fabulosa vivência que irei contar noutros textos.
Para já convido a quem tenha interesse sobre esta zona a procurar alguma informação na internet que em breve irei descrever os vários as várias zonas que decidi entrarem neste tour e porquê.
Bem hajam,
David Monteiro

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