Avançar para o conteúdo principal

Salada de batata em Santo Antão, Cabo Verde

Salada de batata em Santo Antão, Cabo Verde

Como encaixamos uma salada de batata numa caminhada em Santo Antão?

Depois de ultrapassar os 750m de desnível que nos separavam de Cabo de Ribeira (Paúl), estávamos em Cova, a cratera de um antigo vulcão que estará extinto há mais anos do que aqueles que saberei referir.
Foi uma valente caminhada, exigente mas que ainda assim me deixou disponibilidade mental para apreciar a paisagem na subida, sempre fugindo de um nevoeiro que nos perseguiu encosta acima por esse caminho serpenteado.
Já na caldeira, circundámos a cratera pela direita vendo ainda mais abaixo os orgulhosos verdes campos de cultivo de milho e outros produtos. Às nossas costas afastava-se o portal que cruzámos para deixar a ascensão e por onde entretanto apareceram as nuvens que nasceram da névoa que nos perseguiu ao longo da subida.
Essa neblina ganhou muitas tonalidades de cinzento que contrastavam com o céu azul. Naturalmente relacionei esta neblina com o verde da cratera e rapidamente fica descoberto o mistério da exuberância que aqui dominava.
Não sendo uma subida extenuante, ainda assim foi o suficiente para me dar uma imensa tranquilidade e ajudar ao disfrute das pequenas coisas como seja a beleza paisagística das montanhas abrutas à nossa volta ou apreciar o modo de vida de quem aqui trabalha arduamente.
O estômago não tarda a lembrar-nos da sua existência e de que desde o pequeno-almoço não via alimento.
Tinham-me falado de um bar/restaurante por estas bandas mas que ninguém conseguia garantir que estivesse aberto.
Não foi difícil encontra-lo e, se a simpatia saciasse a fome como a alma nada mais teríamos almoçado. Porém, tudo isto é muito bonito mas haveria que satisfazer as necessidades terrenas.
A escolha não existia pelo que pedimos o que havia: uma salada com batatas de sequeiro e tomate e outro prato com salada de queijo de cabra.
Olhei de viés para as batatas sem grande vontade mas com fome. Não gosto de batatas mas lá teria que ser.
Nunca pensei que algum dia poderia fazer uma crítica positiva a batatas cozidas mas na verdade foi uma das refeições mais memoráveis da minha vida.
Foi bem temperado pela fome?
Não digo que não. Mas se sim, então aconselho a que da mesma forma o façam caminhando antes de aqui comerem mas creio que não é o caso, as batatas eram de elevadíssima qualidade, cozidas na perfeição, o tempero de azeite, orégãos e alho estava divinal e, para fazer jus a tal iguaria as batatas acompanhavam-se com tomate cujo sabor parecia concentrado.
Não esperava que na zona se cultivasse tomate, habituado que estou a tomate da Península Ibérica e menos preparado ainda estava para encontrar-me com tão bons frutos aqui plantados.
Fica a sugestão para quem por essas zonas ande e a certeza que não será a ultima vez que visitarei tal local só esperando que possa repetir a iguaria.
David Monteiro

Mensagens populares deste blogue

Cascata da Ribeira Grande, Ilha das Flores, Portugal

De Santa Cruz das Flores para a Fajã Grande, uma imensa cascata, a Cascata da Ribeira Grande. Estava na Ilhas das Flores, Açores, de férias e, ao contrário do resto do ano, não queria caminhar nem fazer qualquer tipo de atividade física. Queria usufruir do local dado que atividade física já a tenho durante o resto do ano. Mas há dois dias que chovia torrencialmente e fazia um mau tempo muito caraterístico da tipologia de surpresas que os Açores nos pode oferecer. O tempo estava tão mau que as ligações de e para as Flores foram cortadas e ficámos sem poder ir passar uns quantos dias à ilha do Corvo. Também caraterístico dos Açores é a rapidez com que tudo muda pelo que de repente o sol apareceu como se nada tivesse acontecido e toda a vida seguiu em frente, mas a revisita à ilha do Corvo acabou por ter que ficar para outra altura já que era tempo de seguir para o destino seguinte, a Fajã Grande.
No caminho de Santa Cruz das Flores para a Fajã Grande houve algo que nos interrompeu a vi…

Qual é o seu vinho do Porto favorito?

Há quem diga que todos temos um vinho do Porto favorito e, quem acha que não gosta é porque nunca os provou todos. Ver o artigo em aqui

Arquitetura Mudejar em Teruel, Espanha

Arquitetura mudejar é Património da Humanidade classificado pela UNESCO e Teruel é uma das cidades onde é melhor representada.
Em 711 DC os mouros atravessaram aquele que é hoje conhecido como o Estreito de Gibraltar e em cerca de 15 anos tinham conquistado toda a Península Ibérica salvo alguns redutos cristão como foi o caso de Covadonga. Naturalmente que esta ocupação trouxe alterações profundas à civilização visigótica que anteriormente ocupava este território. Hoje em dia podemos visitar monumentos impressionantes como seja o Alhambra ou a Mesquita de Córdoba que são magníficos exemplos de estilos trazidos por esta nova cultura. Esta ocupação durou cerca de 700 anos, se contarmos o tempo entre a Batalha de Guadalete entre 19 e 26 de Julho de 711 e a Guerra de Granada que dura entre 1482 e 1492 e definitivamente põe fim à ocupação muçulmana. Após a invasão moura dá-se início ao processo da Reconquista por parte do povo visigodo que talvez tenha começado em 722 com a rebelião de Pe…