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Trekking no Parque Nacional de Aigüestortes, Espanha

O trilho de trekking Carros de Foc, no Parque Nacional de Aigüestortes e Lago de Sant Maurici, na Catalunha, é um dos percursos que mais gosto.

Porquê não sei mas o espaço tranquiliza-me como todos aqueles jogos de lagos e picos graníticos.
Naturalmente que o meu gosto pessoal por locais com cascatas, riachos etc muito contribui para esta preferência já que em Aigüestortes há uns duzentos lagos.
Conheci este parque com o meu amigo Carlos Queirós em Junho de 2005.
Foram umas belíssimas caminhadas em que num dos dias quando caminhávamos entre o Refúgio Ventosa i Calvell e o Refúgio do Lago Llong, olhámos um para o outro após duas horas de tagarelice pegada e perguntámos "mas sabes para onde estamos a ir?" e simultaneamente a nossa resposta foi "pensava que estavas tu com atenção".
Claro que estávamos completamente perdidos num trilho que não era o que queríamos e acabou por ser muito divertido e nos deu a possibilidade de corrigir a rota e conhecer locais onde nunca mais voltei a passar por falta de oportunidade, não obstante regressar a este parque frequentemente com grupos de caminhantes.
Como é de calcular, nesse dia atrasamo-nos e acabámos por chegar ao refúgio do Lago Llong um pouco antes da hora do jantar, o que já deixava os guardas do refúgio em cuidados com a nossa demora. É de referir que em Junho, quando a temporada começa há poucos trekkers e os guardas dos refúgios ainda conseguem ter noção de quem já chegou ou não.
Ao chegarmos vimos que os guardas nos olhavam com um ar misto de espantado e alegria e alguém disse "os russos já chegaram" … é, alguém nos tinha identificado como russos … até hoje fico a pensar como me podem ter confundido com um russo … convenhamos que não tenho pinta de tal nacionalidade.
Nesse dia recordo-me de jantar butifarra, uma típica salchicha catalana que sem calcular na altura me haveria de fartar um dia mais tarde.
Hoje em dia os refúgios são geridos de forma muito autónoma mas em 2007 ainda conjugavam entre eles as ementas de modo que não servissem o mesmo jantar aos caminhantes que faziam o Carros de Foc, o trilho que dá a volta ao parque.
Acontece porém que na primeira semana de Junho. quando davam início à temporada. essa coordenação estava longe de ser perfeita e em 2007 com outro grupo acabei por comer butifarra quatro dias consecutivos por descoordenação dos refúgios e outros acontecimentos que contarei noutro post.
Para completar o ramalhete no último refúgio onde comemos butifarra em 2007, para meu espanto, o guarda chamou-me "russo" lembrando-se da situação de dois anos antes e log se instalou a animação da noite.
Volto a este Parque sempre que posso e, para minha alegria, este Verão lá estarei outra vez se tudo correr bem.
Tenham uma excelente semana,
David Monteiro

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