sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Trekking na zona do Lago Negro, Pirenéus, Espanha

Uma das rotas de trekking em Aigüestortes, Catalunha, passa pelo Lago Negro (Lac Negre) onde estas fotografias foram conseguidas.


Uma paisagem pode ficar na nossa memória por muitas razões. Por ser uma paisagem extraordinária é, naturalmente, uma das razões mas no caso do Lac Negre há outras razões que ainda ando a tentar encontrar.
O Lac Negre (Lago Negro) é um dos 200 lagos do Parque Nacional de Aigüestortes, na Catalunha, localiza-se aqui e faz parte de uma rota de trekking onde costumo ir com clientes.
O nome do lago associa-se com a sua cor negra provocada por uns limos, a cor escura do granito e pelo facto de não ter luz que o clareie.
O local mais próximo para estacionar o carro e aceder ao lago é a Barragem de Cavallers aqui desde onde parte um trilho que bordeia a margem direita do rio em sentido ascendente.
Ao lado do lago há um refúgio de montanha que pode ser utilizado para passar a noite ou simplesmente tomar uma cerveja depois da caminhada, é o Refúgio Ventosa i Calvell.
O melhor momento para fotografar este local é o nascer do sol. Não sendo uma novidade para fotógrafos, ajuda a decidir se estamos indecisos entre o nascer ou por-do-sol que torna toda a paisagem um pouco "flat".
Estando em tour com clientes, não é o meu momento de fotografar pelo que nunca disponho de muito tempo e, o ter que acordar assim tão cedo é sempre penalizador para o resto do dia porque fico cansado mais cedo mas neste caso vale a pena.
Durante alguns anos passei aqui exatamente na mesma altura do ano, início de Junho quando abrem os refúgios e a paisagem é tão diferente de ano para ano que nem parece o mesmo local.
Mochila às costas e vamos lá :)
David Monteiro

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Caminhando entre Lagos e Burgau

A costa algarvia é formada por areia compacta. Claro que sei esta é uma forma tosca de fazer referência a esta formação rochosa mas dou mais vantagem à explicação desta caminhada entre Lagos e Burgau.


Esta areia de cor amarelada combina na perfeição com as restantes cores quentes da paisagem. É como se fosse um quadro em que o artista nos quer transportar para finais de dia de verão mas com toda a perfeição que só a Natureza consegue.
O trilho de 15Km que liga Lagos a Burgau segue sempre pela costa, sem grande desnível, é excelente como caminhada tranquila.
Para além de uma paisagem de mar fantástica, nesta caminhada há outros atrativos tal como:
  • Farol da Ponta da Piedade em Lagos;
  • As grutas na Ponta da Piedade;
  • As ruínas romanas da Praia da Luz;
  • A vista de mar das arribas.
No entanto, há algo que é curioso de observar: poucos são os portugueses que encontraremos a caminhar ao longo de todo o percurso.
Confesso que sempre olhei para a costa algarvia sem ver qualquer interesse para caminhar, a minha cabeça estava sempre em montanhas que apresentavam algum tipo de dificuldade.
Tive que conduzir um grupo alargado de caminhantes ingleses por estes trilho, aproveitei para conhecer com detalhe a costa do Barlavento algarvio e adorei, daí que irei repetir estas caminhadas quando tiver oportunidade.
À travessia do Algarve em bicicleta que já faço com regularidade agora junto um grupo de caminhadas fabulosas ao portfolio.
Boa caminhada.
David Monteiro

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Viagens em grupo são como vinho e amigos.

As vivências partilhadas, tal como nas viagens em grupo, têm um lugar especial nos nossos corações, têm uma casa própria.


A casa é tão especial que para aceder a essas memórias na sua totalidade necessitamos do molho de chaves que possuímos em conjunto com aqueles que connosco viveram essas experiências.
Podemos recordar essas experiências sozinhos no conforto dos nossos lares, partilhar essas fotografias num blog e até contar essas experiências a outros amigos que nos ouvem e ficam encantados com as nossas aventuras mas nunca é a mesma coisa, o nosso coração não bate tão forte.
Mas quando nos reunimos com quem vivemos esses dias de glória vemos que esses amigos têm chaves que abrem outras portas da mesma casa e é aí que conseguimos aceder à memória na sua plenitude e o sol entra casa a dentro iluminando todos os recantos.
Um bom vinho será sempre um bom vinho mas é muito melhor quando partilhado com amigos e assim são as viagens que partilhamos com amigos.
Carpe diem.
David Monteiro

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Caminhando e fotografando nos Picos da Europa, Espanha

Dá-me especial prazer escrever e fotografar caminhadas que normalmente não são mencionadas em livros e revistas de viagens. É como descobrir um pequeno mundo e partilha-lo.

São raras as menções que vi em livros e revistas sobre o percurso de Bulnes la villa até Sotres o que é pena porque é um trajeto que para mim tem um encanto peculiar: dá-nos a oportunidade de três fotografias paisagísticas fabulosas … bom, oportunidade é uma coisa, conseguir as fotos que queremos é outro assunto. No meu caso, estando com clientes não é o meu momento pelo que ainda terei que aqui voltar sozinho especificamente para fotografar.
O percurso tem 9,5 Km de distância com um desnível positivo acumulado de 850 m e 450 m de descidas. Portando um percurso moderado em termos de dificuldade física.
Começamos a caminhar em Bulnes la villa e é aqui mesmo que surge a primeira oportunidade de fotografia.
Map Bulnes to Sotres
1ª fotografia – Pernoitar em Bulnes la villa e ao cair da noite acendem-se as luzes desta pequena localidade … atenção, escurece mesmo muito rápido porque as montanhas vão bloquear a luz do sol … o cenário é tremendo … a partir daqui é contigo, só dou a ideia :)
2ª fotografia – Ao final da grande subida em direção a Sotres teremos o Naranjo de Bulnes ao lado direito, majestoso maciço calcário com os seus 2519 m. A meio do dia é quando está melhor iluminado, a cor dourada que se vê em algumas fotografias é melhor conseguida de outro local e será tema de outro texto.
3ª fotografia – Quase a chegar a Sotres encontramos Moyeyeres, um "invernadero", um conjunto de pequenas edificações destinadas a resguardar o gado durante o inverno. De longe parece uma aldeia mas quando nos aproximamos vemos que não pode ser para uso humano.
Ficam as sugestões de fotografia e eu continuarei a procurar os momentos perfeitos para as fazer.
Divirtam-se.
David Monteiro

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Do Montijo ao Barreiro em bicicleta

O trajeto de bicicleta entre o Montijo e o Barreiro é uma agradável surpresa.

Os nossos preconceitos face a alguns locais acessíveis em conjunto com o fascínio por lugares que desconhecemos mas que outras pessoas elogiam fazem frequentemente com que negligenciemos locais de forma estúpida e injusta.
Em 2014 comecei a traçar uma rota de bicicleta entre o Montijo e o Barreiro.
Como lisboeta que sou, ainda que seja um lisboeta que viveu muitos e bons anos na margem sul, reconheço em muita gente o olhar incrédulo quendo falo em ir fazer este percurso de bicicleta.
O que vos digo é que nada podia ser mais palerma.
Há um conjunto de ciclovias antigas que em conjunto com caminhos de terra batida e alguns troços de estradas secundárias faz um percurso tranquilo, completamente plano, com excelentes momentos de vista sobre Lisboa num total de 38Km.
Naturalmente que há uns locais que não têm qualquer interesse, mas na sua grande maioria é um excelente passeio.
Não é um trilho para "duros", nada disso, é um passeio de bicicleta.
Não me canso de repetir este passeio.
Divirtam-se.
David Monteiro

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Caminhada nos Estreitos do rio Ébron, Espanha


Gosto muito de pensar que há caminhadas que servem um fim que não somente a caminhada em si mesma e a caminhada nos Estritos do Rio Ébron é um exemplo perfeito.


O rio Ebron é um caso curioso de um rio que nasce e termina no mesmo rio, é afluente do rio Turia e nele vai desaguar.
No seu curto percurso passa por um canyon a que foi dado o nome de Estrechos del Ébron e onde foram construidas umas passarelas de metal que permitem que caminhemos dentro do canyon sem ser dentro de agua.
Assim é, as passarelas estão por vezes a um palmo da água outras vezes um pouco mais alto mas nunca mais do que 1,5m de altura.
Para aceder ao local foi equipado um caminho com estruturas de ferro que "animam" a caminhada e umas pontes de madeira muito elegantes. Tornou-se uma caminhada com muito charme.
Este caminho de 11Km une Tormón a El Cuervo. É um percurso de travessia essencialmente dentro do canyon mas que tem zonas onde podemos tomar banho.
Esta caminhada torna-se especialmente interessante quando o objetivo é o banho e os salto para as pequenas lagoas de agua cristalina.
Já aqui fui algumas vezes e sem dúvida que é em pleno Verãoque mais gosto.
As paredes do canyon fazem sombra e refrescam o local e tornam todo o caminho uma fabulosa forma de fugir ao calor. Claro que está que parar para tomar banho é obrigatório.
Aqui voltarei em breve com um grupo de pessoal animado.
David Monteiro

sábado, 2 de janeiro de 2016

Arquitetura Mudejar em Teruel, Espanha


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Arquitetura mudejar é Património da Humanidade classificado pela UNESCO e Teruel é uma das cidades onde é melhor representada.


Em 711 DC os mouros atravessaram aquele que é hoje conhecido como o Estreito de Gibraltar e em cerca de 15 anos tinham conquistado toda a Península Ibérica salvo alguns redutos cristão como foi o caso de Covadonga.
Naturalmente que esta ocupação trouxe alterações profundas à civilização visigótica que anteriormente ocupava este território. Hoje em dia podemos visitar monumentos impressionantes como seja o Alhambra ou a Mesquita de Córdoba que são magníficos exemplos de estilos trazidos por esta nova cultura.
Esta ocupação durou cerca de 700 anos, se contarmos o tempo entre a Batalha de Guadalete entre 19 e 26 de Julho de 711 e a Guerra de Granada que dura entre 1482 e 1492 e definitivamente põe fim à ocupação muçulmana.
Após a invasão moura dá-se início ao processo da Reconquista por parte do povo visigodo que talvez tenha começado em 722 com a rebelião de Pelayo em Covadonga.
Ora bem, de 722 a 1492 que é o período da Reconquista, decorrem mais de 700 anos e durante esse período há uma lenta transição de regresso à cultura cristã e nessa transição aparece um estilo arquitectónico que integra elementos moriscos com elementos góticos, é o estilo que ficou conhecido como mudejar.
Este tipo de arquitetura único no mundo por si só é digo de uma viagem.
Sou um apaixonado por História e o período de ocupação muçulmana capta a minha atenção de maneira muito particular daí que este tipo de arquitetura me é muito querido.
Gosto de passear pelo centro de Teruel e imaginar como seriam os dias quando estes edifícios foram construídos e o espanto e admiração das gentes daquela altura.
Não faltam monumentos para visitar em Teruel e qualquer publicação turística poderá fornecer uma listagem muito completa, coisa que não pretendo fazer aqui.
No entanto, aproveito a oportunidade para dizer que a arquitetura mudejar é Património da Humanidade classificado pela UNESCO e Teruel é uma das cidades onde é melhor representada.
Apesar de não listar exaustivamente os monumentos de Teruel, há no entanto três estruturas que representam este local mais do que qualquer outra e são: O Arquivo Histórico de Teruel, a Torre de San Martin e os Amantes de Teruel esculturas que podem ser visitadas na igreja de San Pedro em Teruel.
Tracem uma rota como mais gostarem e visitem Teruel a pé, é uma excelente caminhada e não muito longe da cidade há locais fantásticos para caminhar que irei descrever em posts futuros.
Divirtam-se.
David Monteiro

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Caminhar na levada de água da Lousã

Uma levada de água escondida a meio de uma encosta, num vale tão bem conservado é uma pedra preciosa na Lousã. Ainda por cima, água sempre foi um recurso precioso em qualquer parte do mundo e aqui não é excepção.


Neste caso a importância da água fica acrescida pela sua capacidade de gerar eletricidade através da força que exerce ao cair de certa altura. Mas para que tal aconeteça foi necessário construir uma levada por onde a água pudesse fluir mas sem perder grande altitude.
O resultado foi uma levada de água com cerca de 2Km ao logo do vale e com um zona lateral que permite caminhar.
Como aceder a esta levada de água? (opções)
  1. A partir da Senhora de Piedade (Lousã) encontramos um pequeno trilho que nos leva ao Talasnal. Nesta aldeia podemos provar um pequeno bolo chamado Talasnico e depois encontrar um trilho que desce em direção ao vale. O trilho mencionado terminará uns 150m antes de chegar à levada de água pelo que será necessário abrir caminho através da vegetação. Descendo sempre encontra-se a levada de água e com um passo mais largo conseguimos passar para o lado onde podemos caminhar e esse é o caminho que nos levará ao ponto de partida.
  2. Há uma entrada para a levada na EN236 mais precisamente em N40° 05.470' W8° 12.814'. Da Lousã até ao local pode-se usar um táxi e o regresso será caminhando na levada de água.
Divirtam-se.
David Monteiro

Caminhar Foz do Lizandro

Gosto de olhar para as caras de espanto dos participantes quando, nesta caminhada da Foz do Lizandro, chegamos ao local desde onde esta fotografia é tirada. 


Encontramo-nos numa estrada secundária que dá acesso a um conjunto de casas em espaço rural e é um sítio pouco interessante quando todos esperavam participar numa caminhada com uma paisagem invulgarmente bonita.
"Não desesperem", costumo dizer, "porque após 1,5Km de caminhada tudo será diferente", rapidamente o espaço abre-se para deixar transparecer a Foz do Lizandro e todos entendem a razão de ser da caminhada, é um local fantástico.
Há várias opções para esta caminhada sendo que, a que considero mais curta tem cerca de 6km rodeando um pequeno monte onde no topo encontramos o marco geodésico São Julião.
O trilho que refiro passa pela praia de São Julião onde podemos encontrar o bar de praia que serve uns magníficos pastéis de carne.
Divirtam-se.
David Monteiro